Como este é um blog também (principalmente) de Ciência, eu gostaria postar alguma coisinha sobre um Físico genial com quem identifico-me muito. Seu nome é Richard Feynman. Pra mim ele foi uma dos caras mais geniais e gente boa da Física como um todo. Quem conhece sua história sabe do que estou falando.
Richard Feynman tornou-s um ícone para a Física do final do século XX – o primeiro norte-americano a alcançar essa posição. Nascido em Nova York em 1918 e educado na Costa Leste, chegou tarde demais para participar da Era Dourada da Física, que, nas primeiras três décadas deste século, transformou nossa visão de mundo com as revoluções gêmeas da teoria da relatividade (elaborada por Albert Einstein) e da mecânica quântica (parte da Física que estuda o comportamento de átomos e partes menores do que ele). Essas amplas transformações estabeleceram os fundamentos do edifício da Nova Física. Feynman partiu desses fundamentos e ajudou a construir o andar térreo da Nova Física. Suas contribuições tocaram quase todos os ângulos do assunto e exerceram uma profunda e permanente influência no modo como os físicos pensam sobre o universo físico.
Feynman foi um físico teórico por excelência. Newton fora um experimentalista e teórico na mesma medida. Einstein simplesmente desdenhava a experiência, preferindo depositar sua fé no pensamento puro. Feynman foi levado a desenvolver uma profunda compreensão teórica da natureza, mas sempre permaneceu próximo do mundo real e às vezes turvo dos resultados experimentais. Ninguém que presenciou o velho Feynman elucidar a causa do desastre do ônibus espacial Challenger mergulhando uma fita de elástico na água gelada pôde duvidar de que ali estava tanto um showman como um pensador muito prático.
Inicialmente, Feynman ganhou fama com seu trabalho sobre a teoria das partículas subatômicas, especificamente tema conhecido como eletrodinâmica quântica (QED – quantum eletrodynamics). Embora a formulação inicial da QED desfrutasse de certo sucesso limitado, a teoria era claramente falha. Em muitos casos, os cálculos geravam respostas inconsistentes e mesmo infinitas para questões físicas bem colocadas.
Para dar à QED uma base segura, era necessário tornar a teoria consistente não apenas para os princípios da mecânica quântica, mas com os da teoria especial da relatividade. Tratava-se de um empreendimento difícil, exigindo um alto grau de habilidade matemática, e era a abordagem seguida pelos contemporâneos de Feynman. O próprio Feynman, porém, tomou uma rota totalmente diferente – tão radical, de fato, que ele foi capaz de escrever as respostas diretamente sem usar nenhuma matemática!
Para ajudar nesse extraordinário feito da intuição, Feynman inventou um sistema simples de diagramas epônicos. Os diagramas de Feynman são uma simbólica mas poderosa forma heurística (método de perguntas e respostas para encontrar a solução de vários problemas) de representar o que acontece quando elétrons, fótons e outras partículas interagem entre si. Atualmente, os digramas de Feynman são um auxílio rotineiro do cálculo, mas no início da década de 1950 marcaram um desvio surpreendente da forma tradicional de realizar física teórica.
O estilo Richard Feynman vem a ser o carisma. Sua personalidade marcou sua vida pública e privada com irreverência uma fantástica capacidade de romper com o estabelecido. Sendo a Física uma ciência exata, só a marca do gênio poderia permitir a este eterno curioso o direito de desprezar os formalismos rigorosos, fosse nos métodos científicos, fosse na saudável atitude de “enganar” os poderosos serviços de segurança da bomba atômica, decifrando segredos de cofres, fosse encantando as mulheres com sua conduta ousada.
Premio Nobel de Física de 1965, junto com Sin-Itero Tomanaga e Julian Schwinger, por seu trabalho sobre eletrodinâmica quântica, por outro lado, em diferentes ocasiões, artista, dançarino, tocador de bongô, freqüentador de boates de strip-tease e decifrador de hieróglifos maias. A postura jovial, na vida em geral, e na Física, em particular, fez de Feynman um comunicador brilhante e, quando convidado a ministrar um curso introdutório de Física para alunos de Caltech, foi com informalidade e humor que fez. Também foi convidado para vir ao Brasil, em 1952, como professor convidado do Centro Brasileiro de Pesquisas Científicas (SBPC).
Embora relutante em levar a pena ao papel, era volúvel na conversa e adorava contar histórias sobre suas idéias e peripécias. Seu jeito envolvente fê-lo adorado pelos estudantes, sobretudo os mais jovens, muitos dos quais o idolatravam. Quando Feynman morreu de câncer em 1988, os estudantes de Caltech, onde ele trabalhara a maior parte da carreira, abriram uma faixa com a mensagem simples: “Nós o amamos”.
Texto compilado do livro Física em Seis Lições – Richard P. Feynman